A segurança dos alimentos não depende apenas da sua origem, composição ou condições de armazenamento. Os materiais utilizados nas embalagens também têm influência na preservação da qualidade dos produtos e na proteção dos consumidores.

A propósito do Dia Mundial da Alimentação, assinalado a 16 de outubro, a Associação dos Industriais de Vidro de Embalagem (AIVE) destaca as propriedades do vidro e o seu contributo para a segurança alimentar.

A AIVE chama a atenção para as características do vidro, um material de origem mineral, quimicamente estável e impermeável, que permite conservar diferentes produtos alimentares sem alterar o seu sabor ou aroma.

Uma das propriedades do vidro é a sua natureza inerte, que limita as interações químicas com os alimentos. O vidro assegura a impermeabilidade sem recurso a camadas adicionais e, quando associado a sistemas de fecho adequados, constitui também uma barreira contra a humidade, os gases e outros fatores externos que podem comprometer a conservação dos produtos.

A sua resistência térmica, dependendo da composição e das características da embalagem, permite ainda a utilização em processos industriais de conservação, como a pasteurização e a esterilização.

Substâncias químicas nas embalagens sob maior escrutínio

A composição dos materiais destinados ao contacto alimentar é uma das questões que tem merecido maior atenção por parte das autoridades reguladoras europeias.

Entre as substâncias em análise encontram-se os compostos perfluoroalquilados e polifluoroalquilados (PFAS), conhecidos como «químicos eternos» devido à sua persistência no ambiente. A União Europeia tem vindo a reforçar as restrições à utilização destas substâncias, incluindo em determinadas aplicações relacionadas com embalagens alimentares.

O vidro, produzido essencialmente a partir de areia, carbonato de sódio e calcário, não necessita da adição intencional de PFAS para cumprir as suas funções de conservação e proteção dos alimentos.

A segurança do vidro para contacto alimentar é também reconhecida historicamente pela Food and Drug Administration (FDA), autoridade norte-americana que inclui este material entre os tradicionalmente considerados seguros para utilização alimentar.

A AIVE enquadra estas características nos objetivos da estratégia europeia Farm to Fork, que procura melhorar a segurança e a sustentabilidade dos sistemas alimentares, desde a produção até ao consumo.

Consumidores associam vidro à qualidade dos produtos, diz a AIVE

A segurança alimentar é também um fator com peso nas decisões de compra. De acordo com o Eurobarómetro de Segurança Alimentar 2025, da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), citado pela AIVE, 46% dos cidadãos europeus apontam a segurança dos alimentos como um dos principais critérios na escolha dos produtos.

A perceção dos consumidores relativamente aos materiais de embalagem foi igualmente analisada num estudo realizado pela InSites Consulting para a Federação Europeia de Vidro de Embalagem (FEVE). Nesse inquérito, 65% dos participantes afirmaram confiar mais na qualidade dos produtos quando estes são embalados em vidro.

Esta preferência está relacionada com a perceção de segurança e qualidade associada ao material, embora a segurança efetiva de uma embalagem dependa também da sua composição, das condições de utilização e do cumprimento dos requisitos aplicáveis ao contacto alimentar.

Além das propriedades de conservação, a transparência do vidro permite visualizar o conteúdo antes da compra, uma característica relevante em diferentes segmentos alimentares.

Conservação e desperdício alimentar

A AIVE destaca igualmente a relação entre as características das embalagens e a redução do desperdício alimentar.

A proteção contra fatores externos e a compatibilidade com processos de conservação industrial permitem utilizar o vidro numa diversidade de produtos, desde conservas e compotas até azeites, molhos, bebidas gaseificadas e alimentos para bebés.

A possibilidade de voltar a fechar muitas destas embalagens facilita o armazenamento após a abertura, enquanto a transparência permite identificar o conteúdo e acompanhar visualmente o seu estado. No entanto, a conservação dos alimentos continua a depender das condições de armazenamento e do cumprimento dos prazos de validade e das indicações do fabricante.

A associação aponta ainda a reciclabilidade do vidro como uma característica relevante no contexto da sustentabilidade das embalagens.