A Unilever fechou 2025 com um crescimento orgânico das vendas de 3,5%, sustentado por um aumento de 1,5% em volume, num ano marcado pela reorganização do portefólio e pela conclusão da separação do negócio de gelados.

No quarto trimestre, o crescimento acelerou para 4,2%, com 2,1% de aumento em volume, refletindo uma melhoria progressiva ao longo do ano.

O volume de negócios atingiu 50,5 mil milhões de euros, uma queda de 3,8% face ao ano anterior, penalizada pelo efeito cambial negativo de 5,9% e por alienações líquidas de 1,2%. Ainda assim, a rentabilidade operacional melhorou: a margem operacional subjacente subiu para 20%, mais 60 pontos base do que em 2024, apoiada numa margem bruta de 46,9% e numa gestão rigorosa de custos indiretos.

O lucro por ação subjacente cresceu 0,7%, enquanto o lucro por ação diluído aumentou 6,2%. A empresa gerou 5,9 mil milhões de euros de fluxo de caixa livre, com uma conversão de caixa de 100%. O dividendo trimestral foi aumentado em 3% e foi anunciado um novo programa de recompra de ações no valor de 1,5 mil milhões de euros.

O CEO, Fernando Fernandez, diz: “em 2025 tornámo-nos numa Unilever mais simples, mais focada e mais rápida, cumprindo o compromisso de crescimento em volume, melhoria do mix e forte margem bruta”. O responsável destacou ainda a prioridade em reforçar as áreas de Beauty, Wellbeing e Personal Care, com aposta em segmentos premium, comércio digital e mercados-chave como Estados Unidos e Índia.

A reconfiguração do portefólio

Em dezembro de 2025, a Unilever concluiu a separação do negócio de gelados, com a criação da The Magnum Ice Cream Company N.V., agora cotada de forma autónoma em Amesterdão, Londres e Nova Iorque. A multinacional manteve uma participação minoritária de cerca de 19,9%, que será alienada de forma faseada.

Desde o início de 2025, a empresa concluiu ou anunciou dez transações, incluindo aquisições estratégicas como a marca de cuidados pessoais masculinos Dr. Squatch e a marca de beleza indiana Minimalist, reforçando o foco em categorias de maior crescimento. Em paralelo, vendeu ativos considerados não estratégicos, sobretudo na área alimentar.

O programa de produtividade, lançado em 2024, gerou poupanças acumuladas de cerca de 670 milhões de euros até ao final de 2025, acima do previsto, aproximando-se da meta total de 800 milhões de euros a atingir em 2026.

Os segmentos que lideram o crescimento

As chamadas “Power Brands”, que representam 78% do volume de negócios, registaram um crescimento orgânico de 4,3%, com aumento de 2,2% em volume. O desempenho foi liderado pelas áreas de Beauty & Wellbeing e Personal Care.

A divisão Beauty & Wellbeing cresceu 4,3%, impulsionada por crescimento de dois dígitos em marcas como Dove e Vaseline, bem como pelo segmento de suplementos e bem-estar. A Personal Care avançou 4,7%, apoiada em inovação premium e ganhos de quota de mercado.

Home Care cresceu 2,6%, com aceleração no quarto trimestre, enquanto Foods registou um crescimento de 2,5%, sustentado sobretudo por mercados emergentes.

Os mercados

Os mercados desenvolvidos, que representam 41% do volume de negócios, cresceram 3,6%, acima do mercado, com destaque para a América do Norte, que avançou 5,3% em vendas orgânicas. A Europa registou um crescimento mais moderado, de 1,5%.

Nos mercados emergentes, responsáveis por 59% das vendas, o crescimento foi de 3,5%, acelerando para 5,8% no quarto trimestre, beneficiando de medidas corretivas implementadas na Indonésia e na China e de uma recuperação no Brasil.

Perspetivas para 2026

Para 2026, a Unilever prevê um crescimento orgânico das vendas entre 4% e 6%, com pelo menos 2% de crescimento em volume, embora admita que o desempenho deverá situar-se na parte inferior desse intervalo, tendo em conta a desaceleração dos mercados. A empresa antecipa também uma melhoria moderada da margem operacional face aos 20% registados em 2025.