Colgate-Palmolive, Mars, Nestlé, PepsiCo, Procter & Gamble e Unilever juntaram-se no PaperFlex Consortium para desenvolver embalagens flexíveis à base de papel que combinem reciclabilidade, biodegradabilidade e desempenho compatível com a produção industrial.
A iniciativa foi lançada pela Ellen MacArthur Foundation e é operacionalizada pela consultora (RE)SET.
O consórcio vai concentrar investigação e desenvolvimento em áreas como revestimentos biodegradáveis, novas tecnologias de coating e melhoria do comportamento dos materiais à base de papel nas linhas de produção. Proteção do produto, vida útil, utilização pelo consumidor e capacidade de processamento industrial estão entre os requisitos a considerar.
O objetivo é desenvolver alternativas para aplicações atualmente dominadas pelos plásticos flexíveis, em particular formatos de pequena dimensão como saquetas, wrappers e pouches. A prioridade será dada a mercados onde os sistemas formais de recolha e reciclagem são ainda limitados e existe maior risco de estas embalagens acabarem no ambiente.
A abordagem definida para o PaperFlex prevê um duplo cenário de fim de vida: as embalagens deverão poder ser recicladas onde existam sistemas adequados e, simultaneamente, ser concebidas para biodegradar caso acabem inadvertidamente no ambiente.
A própria Ellen MacArthur Foundation reconhece que as soluções responsáveis de packaging flexível à base de papel ainda não estão disponíveis com o desempenho, escala e custo necessários para uma utilização generalizada. O PaperFlex procura responder precisamente a esta limitação através de projetos de investigação conjuntos, partilha de investimento e ensaios colaborativos.
“Não existem ainda soluções responsáveis de packaging flexível à base de papel com o desempenho, escala e custo necessários”, afirmou Sander Defruyt, Strategy Lead for Plastics da Ellen MacArthur Foundation, acrescentando que a participação das seis empresas demonstra procura por alternativas capazes de atingir escala industrial.
Cada uma das empresas continuará, contudo, a definir de forma independente a sua estratégia e as decisões relativas às respetivas embalagens. O trabalho conjunto estará concentrado na investigação e no desenvolvimento das soluções.
A iniciativa dá continuidade a um relatório publicado pela Ellen MacArthur Foundation em março de 2026 sobre o possível papel das embalagens flexíveis em papel na redução da poluição associada aos pequenos formatos de plástico. O documento identificou seis critérios para estas alternativas, incluindo origem responsável das fibras, produção responsável, desempenho técnico e económico, reciclabilidade nos mercados onde são utilizadas e ausência de químicos perigosos ou de formas persistentes de poluição plástica.
A Fundação identifica as embalagens plásticas flexíveis como o tipo de packaging em plástico com crescimento mais rápido a nível mundial e considera os pequenos formatos uma das principais barreiras sistémicas à redução dos resíduos de plástico, sobretudo em mercados onde a infraestrutura de recolha e reciclagem permanece insuficiente.
O PaperFlex Consortium ficará aberto à entrada de outras empresas de bens de grande consumo, fornecedores, empresas tecnológicas e investidores interessados em participar no desenvolvimento das novas soluções.