A ALPLA e a CCL Label desenvolveram uma embalagem para bebidas em PET que procura aproximar o formato visual de uma lata das características das garrafas de plástico.
A solução, apresentada a 8 de setembro, tem 0,33 litros, é empilhável e utiliza um shrink sleeve de corpo inteiro para decoração a 360 graus.
A proposta surge como alternativa às latas de alumínio em determinadas aplicações e foi concebida para poder ser utilizada nas atuais linhas de enchimento de PET, de acordo com a ALPLA. O recipiente é produzido em PET transparente e não necessita do revestimento interior à base de resinas epóxi com bisfenol A (BPA) utilizado em algumas embalagens metálicas.
Visualmente, a embalagem recorre ao sleeve para reproduzir acabamentos associados às latas metálicas, incluindo efeito prateado e acabamento espelhado. A aplicação do rótulo retrátil é feita depois do enchimento, permitindo que a produção do recipiente e a decoração sejam geridas separadamente.
A ALPLA indica ainda que a embalagem pode ser produzida com PET reciclado, embora não tenha divulgado, no anúncio do lançamento, uma percentagem mínima de conteúdo reciclado especificamente associada ao novo formato.
Sleeve separa-se do PET durante a reciclagem
A componente de rotulagem foi desenvolvida pela CCL Label através da tecnologia EcoFloat, um shrink sleeve de poliolefina de baixa densidade concebido para se separar dos flocos de PET nos processos industriais de separação por densidade.
Durante esta fase da reciclagem, o material do sleeve flutua enquanto o PET segue outro fluxo, reduzindo a presença do material de rotulagem na fração de PET recuperada. A CCL Label indica que o EcoFloat foi desenvolvido para responder às orientações de reciclabilidade da Association of Plastic Recyclers (APR) e da European PET Bottle Platform (EPBP).
O recipiente inclui também uma tampa solidária, que permanece ligada à embalagem depois de aberta e permite voltar a fechá-la. Para a ALPLA, este sistema pode igualmente limitar a entrada de resíduos ou insetos no recipiente entre o consumo e a recolha para reciclagem.
A utilização deste tipo de tampa está já enquadrada pela legislação europeia. A Diretiva relativa aos plásticos de utilização única estabelece que os recipientes de plástico para bebidas abrangidos, com capacidade até três litros, só podem ser colocados no mercado se as tampas e coberturas de plástico permanecerem presas ao recipiente durante a utilização.
“Uma embalagem de bebidas em formato de lata também pode ser feita de plástico. A nossa lata PET utiliza as propriedades conhecidas do PET transparente, que já estão estabelecidas no mercado, reforça a cadeia de abastecimento e pode ser utilizada para destacar produtos específicos”, afirmou Daniel Lehner, Global Sales Director Food & Beverage da ALPLA.
Proibição do BPA altera requisitos das embalagens alimentares
O lançamento acontece também num momento de alteração das regras europeias relativas ao bisfenol A em materiais destinados ao contacto com alimentos.
O Regulamento (UE) 2024/3190 proibiu a utilização de BPA e de determinados outros bisfenóis em materiais e artigos destinados a entrar em contacto com alimentos. O BPA era utilizado, entre outras aplicações, como matéria-prima de resinas epóxi presentes em vernizes e revestimentos aplicados às superfícies de embalagens metálicas.
Para grande parte dos artigos descartáveis produzidos segundo as regras anteriores, o período transitório para uma primeira colocação no mercado terminou a 20 de julho de 2026. A legislação prevê, contudo, exceções específicas que prolongam determinados prazos até janeiro de 2028.