A The Navigator Company concluiu seis projetos de descarbonização apoiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), num investimento global de cerca de 193 milhões de euros.

A empresa estima que o conjunto permita reduzir em perto de 300 mil toneladas as emissões de CO₂ dos seus complexos industriais.

Dos 193 milhões de euros investidos, 76 milhões foram cofinanciados pelo PRR. Entre os investimentos estão uma nova caldeira de recuperação em Setúbal, um forno de cal a biomassa na Figueira da Foz, uma unidade de cogeração em Aveiro, uma caldeira a biomassa em Vila Velha de Ródão e centrais fotovoltaicas em Aveiro, Figueira da Foz e Vila Velha de Ródão.

O balanço foi apresentado durante uma visita do secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, ao Complexo Industrial de Setúbal, que assinalou a conclusão dos projetos realizados no âmbito do programa.

Na componente industrial, os investimentos agora concluídos fazem parte do roteiro de descarbonização definido pela empresa em 2019. A meta é reduzir em 86% as emissões até 2035, tomando 2018 como ano de referência.

No final de 2025, a redução acumulada atingia 37%. Para 2027, a empresa aponta para uma diminuição de 54%, equivalente a cerca de 415 mil toneladas de CO₂. Desde 2018, o investimento destinado à descarbonização totaliza 352 milhões de euros.

A Navigator tem ainda em estudo novos projetos de biomassa e eletrificação para o período entre 2027 e 2035, que poderão representar uma redução adicional de 251 mil toneladas de CO₂.

A eletrificação da indústria continua, porém, dependente das condições de acesso e do preço da energia, defendeu António Redondo, CEO da The Navigator Company:  “O preço da eletricidade europeia continua largamente indexado ao gás, mesmo quando a maior parte da eletricidade já não é produzida a partir de gás”.

Além dos projetos energéticos, a participação da Navigator no PRR incluiu a Agenda Mobilizadora From Fossil to Forest, que envolveu mais de 20 parceiros e um investimento próximo dos 94 milhões de euros. Deste programa resultaram projetos em áreas como papéis para embalagem, materiais com propriedades barreira, biocompósitos, sensores em papel e celulose moldada.

Uma das aplicações chegou já à escala industrial em Aveiro, onde entrou em funcionamento uma linha destinada à produção de artigos em celulose moldada a partir de fibra virgem de Eucalyptus globulus, dirigidos, entre outras utilizações, aos segmentos de take-away e tableware.