A ANTRAM e a APED manifestaram oposição à decisão da Câmara Municipal do Cartaxo de proibir a circulação de veículos pesados na circular urbana da cidade, medida que entrou em vigor a 1 de junho.
Em comunicado conjunto, as duas associações criticam a forma como o processo foi conduzido, considerando que não existiu envolvimento prévio dos setores afetados, nem auscultação adequada dos agentes económicos ou estudos que avaliassem os impactos da decisão.
Segundo a ANTRAM e a APED, a medida poderá gerar consequências significativas para as operações logísticas e empresariais que dependem do acesso ao concelho do Cartaxo, bem como para a atividade instalada no concelho da Azambuja, onde se concentra uma importante área logística.
As associações alertam que a ausência de estudos de impacto económico, operacional e logístico impede uma avaliação objetiva das consequências da restrição à circulação de mercadorias.
De acordo com as entidades, a Azambuja desempenha atualmente um papel estratégico na cadeia de abastecimento nacional, acolhendo plataformas logísticas que servem setores como o retalho, a indústria e a distribuição.
Neste contexto, consideram que a limitação da circulação de veículos pesados poderá traduzir-se em aumentos de custos operacionais, perda de eficiência logística, maior utilização de percursos alternativos, crescimento das emissões de carbono e diminuição da competitividade da região enquanto polo logístico.
A ANTRAM e a APED defendem que medidas desta natureza devem ser avaliadas com base em critérios de necessidade e proporcionalidade, tendo em consideração os impactos que podem gerar na atividade económica e, consequentemente, nos consumidores.
As associações mostram ainda preocupação com o calendário de implementação da decisão, sublinhando que a medida foi anunciada a 28 de maio, apenas quatro dias antes da sua entrada em vigor.
Perante este cenário, as duas organizações apelam à suspensão da medida e à abertura urgente de um processo de consulta estruturado e transparente, envolvendo os agentes económicos afetados.
O objetivo, defendem, deverá passar pela identificação de soluções equilibradas que permitam compatibilizar as preocupações de mobilidade urbana com a manutenção da atividade económica e logística da região.