Investigadores da Universidade de Saitama, no Japão, desenvolveram um método para transformar microplásticos de poliamida em nanomateriais fluorescentes que podem ser incorporados em filmes destinados à embalagem de produtos alimentares sensíveis à radiação ultravioleta.

O estudo, publicado na revista Materials Research Bulletin, recorre à conversão dos resíduos de poliamida em carbon quantum dots (CQDs), posteriormente integrados numa matriz de álcool polivinílico (PVA).

Os filmes resultantes apresentam capacidade de bloqueio da radiação UV e propriedades fluorescentes. Entre as aplicações consideradas estão embalagens flexíveis e sacos para frutas e hortícolas, nomeadamente uvas, frutos vermelhos, tomates e vegetais de folha, mais suscetíveis à degradação causada pela exposição à luz.

“Estamos a utilizar microplásticos de poliamida, um dos poluentes plásticos mais persistentes e problemáticos no ambiente, como matéria-prima”, explicou Christian Ebere Enyoh, investigador da Graduate School of Science and Engineering da Universidade de Saitama e autor correspondente do estudo.

A fluorescência dos materiais poderá ainda ser explorada em aplicações de smart packaging, incluindo elementos de autenticação ou indicadores visuais de frescura.

A tecnologia encontra-se, contudo, numa fase pré-comercial. A equipa identifica como próximos passos a avaliação da resistência mecânica e flexibilidade dos filmes, do desempenho enquanto barreira ao vapor de água e da segurança para contacto alimentar, incluindo testes de migração dos nanomateriais.

Será também necessário aumentar a escala do processo de produção dos CQDs e otimizar a sua concentração nos filmes, procurando conciliar proteção UV, transparência, propriedades de barreira e resistência mecânica.