Os Estados Unidos vão proibir a entrada de determinadas bebidas alcoólicas, produtos lácteos e motociclos provenientes do Canadá a partir de 29 de setembro, numa nova escalada da disputa comercial entre os dois países.

Washington decidiu também alargar a tarifa adicional de 50% a novos produtos canadianos, incluindo várias categorias de papel destinado à escrita, impressão e utilização gráfica.

As medidas foram anunciadas pela Administração de Donald Trump a 8 de setembro, poucas horas depois de entrarem em vigor as novas tarifas retaliatórias do Canadá sobre 27,6 mil milhões de dólares canadianos em produtos norte-americanos.

A resposta de Ottawa prevê taxas de 15%, 25% ou 50%, dependendo dos produtos, e incide em setores como aço e alumínio, produtos lácteos, equipamentos agrícolas, eletrodomésticos, eletrónica, pasta e papel. As autoridades canadianas apresentaram as medidas como uma resposta equivalente às tarifas norte-americanas que tinham entrado em vigor a 22 de agosto.

Vinhos entre as importações proibidas

No setor das bebidas, a decisão norte-americana tem um alcance significativo. O anexo publicado pela Casa Branca inclui cerveja de malte e um conjunto alargado de categorias de vinho, entre as quais espumantes e diferentes tipos de vinho de uvas frescas, além de vermute e sidra. A lista estende-se ainda a whisky, rum, gin, vodka, licores, brandy e outras bebidas espirituosas.

A proibição aplica-se aos produtos canadianos classificados nas posições pautais identificadas pela Administração norte-americana e entra em vigor às 00h01, hora da costa leste dos Estados Unidos, de 29 de setembro.

A Casa Branca justifica a decisão com o que considera ser um tratamento discriminatório das bebidas alcoólicas norte-americanas no Canadá. Washington tinha aplicado anteriormente uma tarifa adicional de 50% a determinados produtos canadianos e decidiu agora substituir essa tarifa, para parte dos bens, por uma proibição de importação.

Papel entra na nova lista de tarifas dos Estados Unidos

Uma das alterações mais relevantes surge na revisão dos produtos abrangidos pela tarifa norte-americana de 50%, que entra em vigor a 15 de setembro. A nova lista inclui várias posições pautais do capítulo 48, entre elas papel para escrita e capas em bobina e folha, papel de desenho e papel ou cartão destinado à escrita, impressão e outros fins gráficos com determinadas composições de fibra mecânica ou químico-mecânica.

Não se trata, portanto, de uma tarifa geral sobre todo o papel canadiano, mas de um conjunto delimitado de categorias identificadas através da pauta aduaneira norte-americana.

Em simultâneo, os Estados Unidos retiraram alguns produtos da tarifa adicional de 50%, entre os quais sal, cimento Portland e determinadas categorias de papel para usos domésticos ou hospitalares.

Canadá contra-ataca

A resposta canadiana tem igualmente consequências diretas para as indústrias do papel e packaging. A lista oficial de produtos norte-americanos sujeitos às novas tarifas inclui pasta química de madeira, papel kraft, papéis e cartões revestidos, materiais para impressão e outros fins gráficos e vários produtos transformados de papel e cartão.

Entre estes encontram-se caixas e embalagens de papel ou cartão canelado, sujeitas a uma tarifa de 50%, assim como determinados sacos e outros recipientes de papel. Envelopes, artigos de papelaria e alguns produtos impressos estão também abrangidos.

As contramedidas canadianas aplicam-se exclusivamente a produtos considerados de origem norte-americana e não abrangem mercadorias que já se encontrassem em trânsito para o Canadá quando as tarifas entraram em vigor, a 8 de setembro.

O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, reiterou, entretanto, a estratégia de reduzir a dependência económica do país relativamente aos Estados Unidos. “Temos tudo o que precisamos para mudar de rumo e prosperar. Essa mudança terá um custo. Agir tem sempre um custo. Mas não se compara ao custo de ficar parado”, afirmou.

A evolução do conflito acrescenta nova incerteza às cadeias de abastecimento. Acresce que as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos ao abrigo da Secção 338 se mantêm mesmo quando os produtos cumprem as regras de origem do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá, o USMCA.