A Associação dos Industriais de Vidro de Embalagem (AIVE) estima em milhões de euros os prejuízos causados pela passagem da tempestade Kristin, que atingiu várias unidades industriais da Marinha Grande e da Figueira da Foz, provocando danos significativos em infraestruturas e interrupções prolongadas da produção.

Segundo a associação, o impacto do temporal foi particularmente severo nas fábricas localizadas na Marinha Grande, estendendo-se também à Figueira da Foz. Entre os principais impactos estão os custos associados à reconstrução de infraestruturas críticas, como coberturas, sistemas de filtragem e armazéns, bem como as perdas resultantes da interrupção da actividade e da impossibilidade de cumprir exportações durante os períodos de paragem forçada.

A AIVE representa três empresas do sector — BA Glass, Vidrala e Verallia Portugal — sendo que, no caso da Vidrala, as duas unidades da Marinha Grande estiveram totalmente paradas durante quatro dias. Estas fábricas produzem habitualmente entre oito e dez milhões de garrafas por dia. As unidades encontram-se actualmente em fase de recuperação gradual da capacidade produtiva, não estando ainda quantificados os custos totais de reparação e reposição das instalações.

Apesar dos danos registados nos armazéns, onde se encontram armazenadas milhares de toneladas de produto, a empresa conseguiu manter o fornecimento aos clientes sem atrasos significativos.

Para a AIVE, é agora fundamental que o pacote de apoios anunciado pelo Governo seja concretizado com rapidez e eficácia. O presidente da associação, Tiago Moreira da Silva, considera que os postos de trabalho não estarão em risco se as empresas conseguirem retomar a actividade num curto espaço de tempo, alertando, no entanto, para os efeitos de cortes prolongados de energia eléctrica. “O grande problema é ficar sem energia durante muito tempo”, afirmou, citado pela agência Lusa, sublinhando que interrupções prolongadas podem originar perdas de negócio difíceis de recuperar e, em último caso, levar à adopção de regimes de lay-off ou despedimentos.

Tiago Moreira da Silva defendeu também a necessidade de retirar lições do sucedido, apontando falhas na coordenação e comunicação entre as autoridades após a passagem da tempestade. Criticou igualmente a actuação da E-Redes, considerando que a informação prestada às indústrias afectadas deveria ter sido mais clara e transparente, sobretudo num sector altamente dependente de fornecimento eléctrico contínuo, como o do vidro.

A tempestade Kristin atravessou Portugal continental na quarta-feira, provocando pelo menos cinco mortos, segundo dados da Proteção Civil, número que aumentou nos dias seguintes em diferentes concelhos. Os distritos mais afectados foram Leiria, Coimbra e Santarém. O Governo decretou situação de calamidade até 8 de fevereiro.