A implementação do Passaporte Digital do Produto (PDP), um dos instrumentos centrais da futura regulamentação europeia para sustentabilidade e economia circular, deverá alterar a forma como as empresas recolhem, organizam e partilham informação sobre produtos ao longo das cadeias de valor.
O tema esteve em destaque num encontro promovido pelo Data CoLAB, em colaboração com a GS1 Portugal, que reuniu representantes de empresas, especialistas e entidades públicas para discutir os desafios associados à implementação deste novo modelo em Portugal.
O Passaporte Digital do Produto prevê a criação de um conjunto estruturado de dados acessíveis associados a cada produto, incluindo informação sobre origem, composição, impacto ambiental, reciclabilidade, reutilização e percurso ao longo da cadeia de valor.
Embora a aplicação do PDP esteja ainda em fase de desenvolvimento e testes-piloto, o setor das baterias surge entre os primeiros a avançar para a implementação obrigatória ao abrigo das novas regras europeias.
Na abertura do encontro, o secretário de Estado da Economia, João Ferreira, sublinhou a importância de conhecer o histórico dos produtos para permitir escolhas mais informadas e potenciar a reutilização de recursos. “É com grande satisfação que participamos nesta iniciativa que equaciona o futuro da economia circular através de suportes digitais. A tecnologia e a colaboração podem impulsionar a eficiência, a transparência e a competitividade das empresas”, afirmou.
Da rastreabilidade à competitividade
Ao longo do encontro, vários intervenientes destacaram que a introdução do PDP poderá representar uma mudança estrutural para as empresas, sobretudo ao nível da rastreabilidade, transparência e valorização dos produtos.
O diretor-geral da GS1 Portugal, Paulo Gomes, considerou que o setor se aproxima de uma nova etapa associada à codificação bidimensional e ao reforço da rastreabilidade dos produtos.
Já o presidente do Data CoLAB e responsável pelo projeto Route DPP, António Ferreira Dias, classificou o Passaporte Digital do Produto como “uma oportunidade estratégica” para reforçar a confiança ao longo das cadeias de valor.
PME identificadas como principal desafio
Apesar das oportunidades identificadas, o debate destacou igualmente obstáculos à implementação, sobretudo para pequenas e médias empresas.
A diretora da DGAE, Anabela Silva, apontou a necessidade de garantir maior proximidade e apoio prático às PME para evitar assimetrias na adoção do sistema.
Carla Pinto, do Instituto Português da Qualidade, destacou a necessidade de normas técnicas e soluções interoperáveis que permitam assegurar credibilidade e funcionamento consistente entre diferentes sistemas.
Ao longo das várias sessões ficou também evidente que a implementação do PDP exigirá alterações nos processos internos das empresas, desde a recolha e gestão de dados até à articulação com fornecedores e parceiros.
O Passaporte Digital do Produto é atualmente visto pelas instituições europeias como uma peça central da futura economia circular, colocando a informação e a rastreabilidade no centro do ciclo de vida dos produtos.