Investigadores da Universidade do Maine desenvolveram um novo material de embalagem alimentar feito a partir de micélio de fungos e nanofibrilas de celulose (CNF), capaz de resistir a água e óleos e de se decompor facilmente após utilização.
A solução surge num contexto de crescente preocupação com os impactos dos plásticos e dos químicos associados às embalagens convencionais.

O micélio, estrutura subterrânea dos fungos, tem ganho destaque como alternativa sustentável devido à sua resistência natural à água. Combinado com CNF de origem vegetal, o novo material cria um revestimento com propriedades de barreira comparáveis às do plástico, mas totalmente biodegradável. A equipa utilizou o fungo Trametes versicolor, comum em madeira em decomposição, e conseguiu acelerar o processo de crescimento do revestimento para apenas três dias, reduzindo significativamente o tempo de produção.
O revestimento pode ser aplicado sobre papel ou transformado num filme autónomo, com uma face semelhante a plástico e outra com textura mais fibrosa. O objetivo é permitir a produção em escala industrial através de processos contínuos, como sistemas roll‑to‑roll, aproximando a tecnologia da comercialização.
Os investigadores destacam que soluções deste tipo ganham relevância à medida que aumentam as evidências sobre os riscos dos microplásticos e o volume de resíduos plásticos que chegam aos ecossistemas aquáticos todos os anos.