As autoridades indianas desmantelaram em Navi Mumbai uma operação que alterava datas de fabrico e validade e substituía informação nutricional em embalagens de alimentos destinados à exportação.
A investigação decorreu entre 24 e 29 de agosto nas instalações da Sadhana Enterprises, na zona industrial de Turbhe, numa operação conjunta da Food and Drug Administration (FDA) do estado de Maharashtra e da polícia de Navi Mumbai. No armazém foram encontrados produtos de marcas como Lay’s, Kurkure, Maggi, Knorr, Hellmann’s, Thums Up e Limca, de empresas como a PepsiCo, a Nestlé, a Coca-Cola e a Unilever. Foram também encontrados equipamentos de impressão, etiquetas e produtos químicos utilizados para remover informação originalmente impressa nas embalagens.
As autoridades apreenderam milhares de caixas de produtos alimentares, num valor superior a 7,5 milhões de rupias e suspenderam a licença da empresa. A investigação incide também sobre os exportadores para os quais o armazém alegadamente realizava os trabalhos de reembalagem e rotulagem.
A intervenção nas embalagens ia além da colocação de uma etiqueta adicional. Durante a operação foram encontrados produtos químicos que, de acordo com os inspetores, eram usados para apagar as datas originais de fabrico e validade. Uma máquina permitia depois imprimir novas datas diretamente sobre embalagens flexíveis e latas.
Em alguns casos, a informação original sobre ingredientes e composição nutricional era coberta por uma nova etiqueta. Os inspetores encontraram ainda embalagens às quais tinham sido atribuídas datas de fabrico posteriores ao próprio momento da fiscalização. Um dos produtos apresentava, por exemplo, uma data de fabrico de 2 de outubro de 2026, embora a inspeção tivesse ocorrido em agosto. Grande parte dos alimentos identificados encontrava-se já fora do prazo ou próximo da data-limite de utilização, indicaram as autoridades.
A data de fabrico, prazo de validade, ingredientes, informação nutricional e país de origem não funcionam apenas como elementos gráficos ou administrativos: fazem parte da informação regulamentar associada ao produto. A própria regulamentação indiana estabelece regras para a indicação da data de fabrico ou embalagem e da data de validade ou utilização nos alimentos pré-embalados.
Tukaram Mundhe, comissário da Food and Drug Administration de Maharashtra, descreveu a dimensão da operação como sistemática e defendeu uma maior responsabilização ao longo da cadeia: “Uma data de validade não é apenas tinta numa embalagem. Um rótulo nutricional não é apenas informação. São compromissos assumidos perante o consumidor”.
O caso surge numa campanha mais ampla de fiscalização alimentar em Maharashtra. Desde maio, as autoridades lideradas por Mundhe realizaram mais de 3.000 inspeções e operações.
As autoridades indianas também não confirmaram os países para os quais se destinavam os produtos encontrados. O responsável pelo armazém terá declarado que os trabalhos eram realizados para 19 exportadores, cujas atividades estão agora a ser investigadas.
A PepsiCo afirmou que não mantém relações comerciais com os exportadores referidos no processo e que os snacks fabricados pela empresa na Índia se destinam ao mercado indiano, exceto quando uma exportação é especificamente autorizada. A PepsiCo, a Nestlé, a Coca-Cola e a Unilever não são acusadas de qualquer participação na operação. A investigação centra-se nos responsáveis pelo armazém, exportadores e restantes intervenientes da cadeia.