Os clientes da IFCO que utilizam caixas reutilizáveis no transporte de alimentos frescos passarão a dispor de uma declaração com os dados técnicos necessários para demonstrar a conformidade das embalagens com o Regulamento Europeu de Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR).
A exigência de uma declaração formal por escrito para cada tipo de embalagem colocada no mercado da União Europeia começa a aplicar-se a 12 de agosto de 2026.
A documentação destina-se a apoiar retalhistas, produtores e empresas agrícolas que utilizam o sistema de embalagens reutilizáveis da IFCO. Além das disposições do PPWR, inclui informação relacionada com segurança alimentar, substâncias químicas, incorporação de material reciclado e funcionamento do sistema de reutilização.
O PPWR reforça as obrigações de informação e rastreabilidade aplicáveis às embalagens, ao mesmo tempo que estabelece metas de prevenção de resíduos, reutilização e incorporação de matérias-primas recicladas.
Reutilização exige sistemas de recolha e retorno
As embalagens reutilizáveis terão de funcionar no âmbito de sistemas que assegurem a sua recolha, eventual recondicionamento e posterior retorno à circulação.
A IFCO opera um modelo de pooling, no qual as caixas são partilhadas por diferentes intervenientes da cadeia de abastecimento, recolhidas após a utilização, lavadas e novamente colocadas em circulação. Na Europa, a empresa registou mais de 1,9 mil milhões de ciclos em 2025, calculados através das leituras efetuadas nos seus centros de serviço.
Cada caixa pode realizar até 120 utilizações e quando deixa de reunir condições para continuar em circulação, o material é reprocessado e utilizado no fabrico de novas unidades.
“O PPWR estabelece metas obrigatórias para reduzir os resíduos de embalagens em toda a Europa e representa um passo importante rumo a um sistema de embalagens mais circular”, afirmou Mike Pooley, chief executive officer da IFCO.
O responsável reconheceu que o novo enquadramento acrescenta exigências às empresas, designadamente na demonstração do cumprimento das regras aplicáveis às embalagens.
Caixas continham 39% de material reciclado em 2025
O regulamento prevê que determinadas embalagens de plástico integrem pelo menos 25% de conteúdo reciclado pós-consumo até 2040. De acordo com os dados da IFCO, as suas caixas continham, em média, 39% de material reciclado em 2025.
A empresa indica que o material provém do seu próprio circuito de recolha e reprocessamento e é tratado em instalações autorizadas, segundo uma metodologia de balanço de massa.
As caixas comercializadas na Europa cumprem também, segundo a IFCO, os requisitos do regulamento europeu REACH e não são produzidas ou formuladas com substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas, habitualmente designadas PFAS.
As caixas Lift Lock obtiveram ainda, em 2026, a recertificação Cradle to Cradle Certified Full Scope Silver, que avalia critérios como saúde dos materiais, circularidade, utilização da água e do solo, proteção climática e condições sociais.
Lavagem e controlo sanitário
Após cada utilização, as embalagens passam por processos industriais de lavagem e desinfeção. A empresa afirma que estes procedimentos são sujeitos a controlos de qualidade e a verificações realizadas por auditores independentes.
O objetivo é reduzir os riscos de contaminação microbiológica e evitar a transferência de resíduos de pesticidas ou de outras substâncias para frutas, legumes e restantes produtos transportados.
A IFCO refere ainda avaliações do ciclo de vida realizadas por entidades externas, segundo as quais as suas caixas reutilizáveis podem apresentar, face a embalagens descartáveis de cartão, reduções de até 62% nas emissões de dióxido de carbono equivalente, 80% no consumo de água, 64% no consumo de energia e 96% na produção de resíduos.
Estes valores correspondem aos resultados máximos indicados nos estudos citados pela empresa e podem variar consoante os circuitos logísticos e as condições de utilização.
Rastreabilidade acompanha ciclos das embalagens
O funcionamento dos sistemas de reutilização pressupõe também o registo dos movimentos das embalagens ao longo da cadeia de abastecimento.
A IFCO utiliza diferentes tecnologias de identificação, entre as quais etiquetas Bluetooth Low Energy, radiofrequência e identificadores globais de ativos retornáveis. Estes recursos permitem acompanhar os ciclos de reutilização, os tempos de trânsito e, em determinadas operações, as condições de temperatura.
A informação recolhida pode ser utilizada para identificar atrasos, acompanhar os fluxos de caixas e organizar os processos de recolha e devolução.
“As metas do PPWR da União Europeia não devem ser vistas como um obstáculo, mas como um catalisador para uma transformação positiva da cadeia de abastecimento”, afirmou Iñigo Canalejo, chief sustainability officer da IFCO.
A entrada em aplicação das novas obrigações documentais obrigará as empresas que colocam embalagens no mercado europeu a rever a informação técnica disponível, os mecanismos de rastreabilidade e a forma como demonstram o cumprimento dos requisitos de reutilização e circularidade.