O Joint Research Centre (JRC), serviço científico da Comissão Europeia, publicou uma atualização metodológica para estimar a quantidade de materiais de embalagem colocados no mercado pelos Estados-Membros da União Europeia.

O relatório, intitulado Estimating packaging placed on the market at national level — Packaging model updates version 2.0, apresenta uma nova versão do modelo desenvolvido para apoiar a monitorização das embalagens e dos resíduos de embalagem no contexto das metas europeias de reciclagem.

A versão 2.0 do modelo alarga o âmbito da análise anteriormente publicada em 2024, que incidia sobre alimentos e bebidas. A nova metodologia passa a incluir também produtos de cuidado do lar, beleza e cuidado pessoal, alimentos para animais de companhia e bebidas quentes.

O estudo abrange 19 Estados-Membros, que representam mais de 97% da população da União Europeia, e cobre o período entre 2011 e 2025. A análise utiliza dados de vendas de produtos de consumo por tipo de embalagem, dimensão e material, combinados com coeficientes de massa unitária associados a cada embalagem.

As categorias analisadas cobrem cerca de 75% do mercado europeu de embalagens de consumo. A metodologia inclui embalagens primárias e secundárias, mas exclui embalagens terciárias, utilizadas sobretudo no transporte, armazenamento e distribuição em larga escala.

Para 2024, o modelo estima que tenham sido colocadas no mercado 42,8 milhões de toneladas de embalagens nos 19 países analisados. Deste total, 32,3 milhões de toneladas correspondem a embalagens de vidro, 5,9 milhões de toneladas a embalagens de plástico, 2,1 milhões de toneladas a embalagens de papel, incluindo cartão para líquidos, 2,3 milhões de toneladas a embalagens metálicas e 0,1 milhões de toneladas a embalagens multimaterial.

O relatório indica que as quantidades totais de embalagem colocadas no mercado se mantiveram relativamente estáveis ao longo do período analisado. No entanto, foram observadas diferenças por material. As embalagens de vidro registaram uma quebra em 2020, seguida de recuperação, enquanto as embalagens de plástico aumentaram cerca de 11% em termos absolutos entre 2011 e 2025.

No caso do plástico, o estudo estima um valor médio próximo de 14 quilogramas por habitante por ano nos países analisados. As diferenças nacionais são significativas, variando entre 8 quilogramas por habitante na Suécia e quase 16 quilogramas por habitante na Alemanha.

A água engarrafada representa a maior contribuição para as embalagens plásticas colocadas no mercado, com 31,1% do total, seguida dos produtos alimentares processados, com 26,6%, dos produtos lácteos, com 15,1%, e das bebidas não alcoólicas, com 14%. Os produtos de cuidado pessoal e do lar representam, respetivamente, 5,7% e 5,5%.

Por polímero, o PET surge como o principal material nas embalagens plásticas de alimentos e bebidas, sobretudo devido à sua utilização em bebidas não alcoólicas e água engarrafada. O PP apresenta também uma expressão relevante, com aplicação mais diversificada em produtos alimentares. Já nos setores de cuidado do lar, beleza, cuidado pessoal e alimentação animal, o HDPE e o PET são os polímeros mais utilizados.

O relatório analisa ainda possíveis tendências de substituição entre materiais em quatro categorias: leite, bebidas gaseificadas, sumos e água engarrafada. Foram identificados sete casos com alterações relevantes de quota entre materiais, incluindo a substituição parcial de vidro por PET na água engarrafada em Itália e na Eslováquia, e o aumento da utilização de vidro em detrimento do cartão para líquidos no mercado de sumos na Suécia.

Os autores sublinham, contudo, que estas alterações não significam necessariamente uma substituição deliberada por parte dos fabricantes. As mudanças podem refletir variações na composição das vendas, preferências de consumo ou diferenças nos segmentos de produto comercializados em cada país.

A análise procurou também avaliar a relação entre a massa de embalagens colocadas no mercado e indicadores económicos dos agregados familiares. O estudo conclui que não existe uma correlação significativa entre a despesa real per capita em alimentos e bebidas e a quantidade de embalagens gerada. Já a relação entre volumes de vendas e massa de embalagens é mais visível, embora condicionada pelas diferenças nos hábitos de consumo e nas escolhas de materiais por país.

O JRC refere que os resultados do modelo poderão apoiar os Estados-Membros na comunicação obrigatória das quantidades de resíduos de embalagem e servir de referência para a validação dos dados reportados. A metodologia enquadra-se no acompanhamento das metas de reciclagem previstas no Regulamento Europeu relativo a Embalagens e Resíduos de Embalagens.